
As pessoas não são donas umas das outras. parece óbvio mas, mesmo assim, não são poucas as relações que assumem um caráter de possessividade com um parceiro cerceando a liberdade do outro. Controlar alguém, contudo, é querer impedir o surgimento em si mesmo de algum conteúdo ou expressão.
Parece-me que possessividade e paixão desenfreada são dois aliados nesta história que teceremos no decorrer deste texto. Assim nos é intrinsico entender antes de tudo o que significam estes dois termos, para sem dúvida falarmos sobre o que precede a toda essa ação. os critérios não podem ou não conseguem ser os mesmos. Haverá sempre algo latente ou velado, porém, inerente à introspectividade de sua natureza, pois, cada indivíduo é universo único e pessoal.
Neste sentidos, Hanna Arendt, com muita propriedade, nos revela a distinção entre a “aparência e a realidade”, demonstrando a impossibilidade de se conhecer o íntimo de uma pessoa, a menos que se pudesse empreender um processo de desprivatização ou desindividualização, noutras palavras, haverá sempre uma obscuridade, uma espécie de incerteza quanto às forças da vida íntima, as paixões do coração, os pensamentos da mente e os deleites dos sentidos.
O equívoco demandado pela não definição daquilo que se sente denota uma emoção muitas vezes deturpada da ideia vazia que se tem do amor. Os conceitos que acolhemos como verdadeiros podem ser uma versão distorcida de sentimento. Temos modos arrevesados de entrar em contado com ouro e, por motivos que só nos envergonha, somos desajeitados com as pessoas mas queridas. Trombamos com o outro quando só beijá-lo; pisamos em seus pés quando só queríamos ensaiar uma dança, cutucamos suas feridas, quando imaginávamos estar cuidando delas. Muitas vezes não nos damos conta de tudo isso; outras temos uma vaga consciencia de que 'pisamos no tomate', mas só percebemos isso quando pisamos molho por toda a parede. Outras parecemos constrangidos quando somos inadequados, mas ainda assim não conseguimos modificar aquelas estranhas abordagens. Os impulsos que segundo a mitologia tem uma explicação Interessante:
[...]1-Dentro de cada um de nós convive Eros e Anteros. Todos, sem exceção, sonharam (e sonham) conhecer a sua metade da laranja. Mas, por que muitas relações não dão certo? A verdade é que não sabemos ainda nos relacionar, mesmo depois de muitos avanços tecnológicos da humanidade, questões básicas como cumplicidade, compreensão, respeito, carinho e igualdade ainda passam longe de 90% das relações afetivas. Não sabemos educar Eros e Anteros ao longo de nossa vida, e voltamos irremediavelmente a mergulhar no abismo de nossas incertezas, inseguranças, frustrações e amarguras. Amar, assim como viver, é uma arte; decerto um não vive sem o outro, pois, como dizia nosso poeta Vinícius de Moraes:
"(...) O amor é uma agonia,
Vem de noite, vai de dia,
É uma alegria e de repente
Uma vontade de chorar"
"(...) O amor é uma agonia,
Vem de noite, vai de dia,
É uma alegria e de repente
Uma vontade de chorar"
Quantos de nós já não estivemos enganados quanto aos nossos sentimentos (sem contar as pessoas que acabamos por conhecer)? Eros é assim: encanta, e vem Anteros e desencanta. Mas o contrário também acontece: sabe aquela pessoa que a gente não ia com a cara? Pois é, um dia a gente tem a oportunidade de bater um bom papo com ela e acaba simpatizando (e até amando em alguns casos). Eis o mistério do amor: transmutar o bruto, o bestial, o instintivo em poesia. AlA verdadeira tônica para educar Eros e Anteros é a amizade. Não acredito que Eros seja trabalhado sem a ajuda de Philos, o sentido de fraternidade. Sempre costumo recomendar aos meus clientes: "Antes de entrar de cabeça na relação, tente formar uma amizade, conhecer melhor a pessoa!". Afinal, é um absurdo saber de casos de pessoas que se relacionaram durante anos, que, depois que a relação não vingou, sequer manteve uma amizade entre elas. Que mundo é este em que vivemos? Isso mostra que Anteros foi sempre mais forte, neste caso, que Eros. A amizade é a melhor forma de se estudar, entender e alcançar a outra pessoa, para daí se pensar numa futura relação afetiva. E a amizade deve prevalecer antes, durante e depois, mesmo que não role algo mais.Aliás, a vida sem poesia é só prosa.[...]
Mas o amor puro como Eros, absoluto não se realiza sem sua sombra, Anteros. Parece inevitável a luta contra o dualismo que os gregos já pregavam, já que toda divindade bem-intencionada (na verdade, os deuses eram destituídos de moral) tinha sua contraparte...
Meditemos, então, porque o Amor e o Ódio nascem do Caos. Parece significante a importância que os gregos deram a essa narrativa, já que fora do mundo dos sentimentos vivemos no vazio absoluto. Raiva, amor, tristeza, alegria, dentre outros sentimentos, é que movem a vida. Por isso mesmo, Eros provocou a união de Urano (o Céu) com Gaia (a Terra), dando origem à toda saga do Olimpo. Mas, bestialmente, Anteros provocou também a ruptura de Céu e Terra e provocou a maior crise cosmogônica que já se conhece. Por incrível que pareça, é assim que muitas vezes conduzimos nossa vida afetiva.[...]
[...] O mito de Eros evidencia que o amor não pode crescer sem paixão. Diante disso questiono que obstáculos os amantes tem hoje a enfrentar, considerando-se que toda uma libidinagem está post à mesa, ao consumo e ao lucro de investidores e consumidores modernos ? São frágeis os limites postos pela família e pela sociedade para consumos libidinosos. Uma filosofia de “facilidade” erradica os impedimentos. Mas é curioso observar que vivemos intensamente enquanto temos razões para lutar. Se não há mais barreiras contra as quais se opor, vive-se superficialmente “Como é que eu vou crescer sem ter com quem me rebelar ?” canta o grupo Ultraje a Rigor. Questiono o que há de encontro e de sexualidade em toda essa forma que se prolifera, de erotismo industrializado que vai assumindo cada vez mais a fugacidade da relação. Estamos na época do voyerismo de Madonna, da “pegação”, dos strippers e dos extra-sexuais, que ofertam e buscam libidinagem sem sexo, da “ficação” fortuita com alguém numa noitada, tudo encaminhando experiências em forma de relações-objeto, destituídas do relacional com o outro como sujeito. Nesse modelo, nem importa saber o nome de quem se toca, afaga ou beija e quantos corpos se tocam numa mesma noite.. A identida se perde nesse liquidificador de personagens e cede lugar ao uso do corpo para meras sensações. Até mesmo uma androginia visual confunde as pessoas nessas orgias, em que nem se sabe se se é atraído pelo masculino ou pelo feminino. Tudo levando a crer que a livre expressão libidinal (industrializada e lucrativa) supõe um corpo objeto e não um corpo sjeito, um consumo de imagens e sensações, não emoções. Essa simulação, essa caricatura, promove formas sígnicas de sexualidade, não relações. Isso interesa ao sistema que aplaude a superficialidade dos cidadãos. Assistimos a uma espécie de arrefecimento dessas intensidades apaixonadas, e até mesmo o desenvolvimento do medo da experiência mais profunda, da emoção inevitável, do doer, de paixão. É grande, hoje, a evitação do envolvimento amoroso, o descompromisso com a emoção e com a pessoa e, em troca, elegem-se experiências passageiras, nenhuma verticalização do sentimento. Mas, é grande também a insatisfação, filha do vazio que resulta do não encontro. Pergunto o que será feito de Eros e Antero em nossos dias. Se o amor não pode crescer sem paixão, como diz o mito, como fica a sexualidade se for desprovida do relacional e da paixão ? A pauperização do erotismo cresce com a industrialização libidinal que promove uma satisfação ilusória da sexualidade das pessoas, inibindo-a em sua dimensão maior e mais significativa. Saímos da era dos impedimentos para uma era da produção de liberdades que nega a paixão, o utópico, o metafórico, o extasiante, a dimensão onírica da pessoa. Em todos os tempos, em todas as culturas, controles se exercem sobre a sexualidade das pessoas Por isso, pergunto que barreiras são postas nos dias atuais aos amantes e aos apaixonados. Parece óbvio que não se trata mais da ostensiva vigilância de comportamentos. Hoj temos barreiras mais sutis, tecnicamente elaboradas pelo sistema massificador, difíceis, inclusive de serem percebidas, até porque possibilitam uma satisfação mesmo que alienada da sexualidade. O medo de deixar-se envolver na relação tornou-se uma dessas barreiras sutis, à impossibilidade da entrega à experiência mais profunda. Então, o amor e a paixão andam impossíveis ?[...]2
A definição de paixão encontramos a seguinte afirmação: "paixão, s.f. tendência dominante, ou mesmo dominadora e geralmente exclusiva, que exerce, de modo mais ou menos constante, acção directora sobre a conduta e o pensamento, orientando os juízos de valor e impedindo o exercício de uma lógica imparcial; sentimento profundo; grande predilecção; afecto violento; amor ardente; o objecto desse amor; grande desgosto; parcialidade; tendência exaltada, exclusiva, absorvente e duradoira; martírio de Cristo; parte do Evangelho onde se descreve o martírio de Cristo (nas duas últimas acepções grafa-se com inicial maiúscula); (mús.) composição musical cujo motivo é o martírio de Cristo. (Do lat. passiõne-, «sofrimento»)."3
Já a posse figura da seguinte forma: [...] Para Savigny, posse é o poder que tem a pessoa de dispor fisicamente de uma coisa, com a intenção de que esta seja sua.
- ação concernente, competência territorial: Art. 95, CPC
Segundo o enunciado, dois são os elementos da posse:
- o corpus, que é o elemento material;
- o animus domini, que consiste na intenção de exercer sobre a coisa (elemento material) o direito de propriedade.
Para Ihering, posse é a exteriorização da propriedade. Para a constituição da posse, basta a apreensão da coisa. Assim, a posse só possui um elemento: - o corpus à elemento natural.
Para outros doutrinadores, a posse significa o uso e o gozo da propriedade. Afirma: "todo aquele que estiver em poder de algo, sem que o tenha obtido por meio violento, clandestino ou precário, é considerado possuidor".
Inspirando-se em Ihering, a jurisprudência brasileira considera a posse como sendo um Direito Real. [...]
- ação concernente, competência territorial: Art. 95, CPC
Segundo o enunciado, dois são os elementos da posse:
- o corpus, que é o elemento material;
- o animus domini, que consiste na intenção de exercer sobre a coisa (elemento material) o direito de propriedade.
Para Ihering, posse é a exteriorização da propriedade. Para a constituição da posse, basta a apreensão da coisa. Assim, a posse só possui um elemento: - o corpus à elemento natural.
Para outros doutrinadores, a posse significa o uso e o gozo da propriedade. Afirma: "todo aquele que estiver em poder de algo, sem que o tenha obtido por meio violento, clandestino ou precário, é considerado possuidor".
Inspirando-se em Ihering, a jurisprudência brasileira considera a posse como sendo um Direito Real. [...]
Em uma definição mais atual do que é paixão numa linguagem mais moderna e popular podemos entender melhor o que significa esse sentimento:"Hoje em dia, paixão é fast food. Vemos, olhamos, apetece-nos, dá-nos vontade e vamos comprar para comer. Em pé, no carro, num banco de jardim, em casa, no trabalho, nas escadas e por aí fora. Comemos rápido, porque temos sempre falta de tempo, mastigamos sem saborear, porque afinal tudo sabe à mesma coisa e deitamos os restos no lixo."4
Mas será que o direito real de posse se aplica ao ser humano, é possível mercantilizar aquilo que não é nosso, partindo do princípio que ninguém é de ninguém.
[...]Há uma linha bastante tênue entre o ciúme e o sentimento de posse, mas que separa tipos de relação bem diferentes. O ponto em comum é o sentimento de perda. É quase impossível não temer a falta de quem se ama, por isso, qualquer sinal de afastamento ou desatenção leva ao questionamento sobre a relação. Na posse, porém, há o sentimento de perda do poder sobre o outro e não do amor. Quem explica é a psicóloga Nina Maria Góes: "O sentimento de posse nada tem a ver com amor. No ciúme, o foco é o outro. Já, na posse, o foco sou eu. Uma pessoa possessiva não será sempre ciumenta, porque estamos falando de coisas diferentes".
[...]Há uma linha bastante tênue entre o ciúme e o sentimento de posse, mas que separa tipos de relação bem diferentes. O ponto em comum é o sentimento de perda. É quase impossível não temer a falta de quem se ama, por isso, qualquer sinal de afastamento ou desatenção leva ao questionamento sobre a relação. Na posse, porém, há o sentimento de perda do poder sobre o outro e não do amor. Quem explica é a psicóloga Nina Maria Góes: "O sentimento de posse nada tem a ver com amor. No ciúme, o foco é o outro. Já, na posse, o foco sou eu. Uma pessoa possessiva não será sempre ciumenta, porque estamos falando de coisas diferentes".
Ela cita como exemplo a relação afetiva retratada no filme "Encaixotando Helena", de Jennifer Chambers Lynch. No filme, um renomado cirurgião cria um acidente para que a vítima, por quem era obcecado, seja levada para a casa dele. Com o tempo, ele vai mutilando-a, cada vez que pensa na possibilidade de ela escapar. Segundo Nina Maria Góis, esta história extrema chama a atenção para como o sentimento de posse é destrutivo e não condiz com o relacionamento amoroso: "Ele nunca se importou com ela, mas com ele. A posse poderia ser chamada de um autismo afetivo, em que não há comunicação com o outro. Não existe sequer o outro em si. Existe apenas enquanto ele traz algum ganho", afirma.
Por isso, a posse é sempre danosa à relação, mas o ciúme nem sempre. Se o controle sobre a vida do outro supera o seu bem-estar, é sinal de que há algo errado. O alerta está para quem impõe este domínio, mas também para quem se deixa levar pelas imposições feitas. O psicanalista Paulo Próspero lembra que não é à toa que o ditado "ninguém é de ninguém" se tornou tão popular. "Mesmo que você queira, não pode ser dono do outro. E para existir a relação é preciso este espaço. O sentimento de posse tira a liberdade de ação do outro. É conseqüência de uma insegurança profunda", observa[...]5
A questão prende-se sobre o sentimento de posse que temos uns sobre os outros.
Por vezes interrogo-me sobre isso e embora sendo eu intelectualmente muito liberal nesse assunto (atenção não confundir com liberais políticos...), não deixa de ser constrangedor verificar que na realidade perco muito desse sentimento liberal quando confrontado com algumas questões, como que levanto as amarras do castelo e lá vem novamente o sentimento de posse...
[...]Ou seja, quase sempre e quando confrontados com questões concretas, muitos de nós tem dificuldade em manter essa postura liberal e de "low profile" e sentimos sempre o sabor, ou diria o sentimento próprio de que nos rondam o castelo...
Interrogo-me sobre isto do sentimento de posse, pois por vezes pergunto-me qual será a legitimidade de cada um em limitar os actos dos outros, mesmo da pessoa que se ama, será o amor quando em sintonia, incompatível com esses pequenos desvios momentâneos? É que por muito que se diga o contrário, ficam sempre marcas, ficam sempre sinais e nunca sabemos muito bem como ficaremos no futuro.
Admito que o sentimento de posse que temos da pessoa que amamos, mude de pessoa para pessoa e mude sobretudo com a idade. Tenho a ideia (talvez errada e absurda),de que com a idade, cedemos mais, somos menos temperamentais e sobretudo entendemos melhor as coisas. Pelo menos eu tenho vindo a mudar a minha forma de estar em relação a algumas coisas e hoje admito que embora me custe "alienar" o que amo, nem que seja por instantes, por momentos, não é menos verdade que me interrogo se é legítimo ter essa percepção de pertença, como se quem amamos, fosse uma coisa, um objecto, que apenas nós pudessemos manipular e usufruir a nosso belo prazer. Isto é um ponto de vista.
O outro, é de que o sentimento de posse, na minha modesta opinião, para além de ser um sintoma do ciúme, não deixa de ser também um sinal de que nos custa libertar do que é nosso, do que conquistámos, no fundo, penso que o sentimento de posse é também uma forma de protegermos o nosso "castelo" e sobretudo de procurarmos manter as coisas que consideramos serem importantes para nós.
É por isso que tenho sempre dificuldade em lidar com isto, não que não entenda que cada um de nós não deve ser demasiado possessivo sobre quem amamos, mas por outro lado o medo e o receio da perca, fala quase sempre mais alto e acabamos quase sempre por ter o coração aos saltos e sem saber muito bem que caminho seguir.[...]
Por vezes interrogo-me sobre isso e embora sendo eu intelectualmente muito liberal nesse assunto (atenção não confundir com liberais políticos...), não deixa de ser constrangedor verificar que na realidade perco muito desse sentimento liberal quando confrontado com algumas questões, como que levanto as amarras do castelo e lá vem novamente o sentimento de posse...
[...]Ou seja, quase sempre e quando confrontados com questões concretas, muitos de nós tem dificuldade em manter essa postura liberal e de "low profile" e sentimos sempre o sabor, ou diria o sentimento próprio de que nos rondam o castelo...
Interrogo-me sobre isto do sentimento de posse, pois por vezes pergunto-me qual será a legitimidade de cada um em limitar os actos dos outros, mesmo da pessoa que se ama, será o amor quando em sintonia, incompatível com esses pequenos desvios momentâneos? É que por muito que se diga o contrário, ficam sempre marcas, ficam sempre sinais e nunca sabemos muito bem como ficaremos no futuro.
Admito que o sentimento de posse que temos da pessoa que amamos, mude de pessoa para pessoa e mude sobretudo com a idade. Tenho a ideia (talvez errada e absurda),de que com a idade, cedemos mais, somos menos temperamentais e sobretudo entendemos melhor as coisas. Pelo menos eu tenho vindo a mudar a minha forma de estar em relação a algumas coisas e hoje admito que embora me custe "alienar" o que amo, nem que seja por instantes, por momentos, não é menos verdade que me interrogo se é legítimo ter essa percepção de pertença, como se quem amamos, fosse uma coisa, um objecto, que apenas nós pudessemos manipular e usufruir a nosso belo prazer. Isto é um ponto de vista.
O outro, é de que o sentimento de posse, na minha modesta opinião, para além de ser um sintoma do ciúme, não deixa de ser também um sinal de que nos custa libertar do que é nosso, do que conquistámos, no fundo, penso que o sentimento de posse é também uma forma de protegermos o nosso "castelo" e sobretudo de procurarmos manter as coisas que consideramos serem importantes para nós.
É por isso que tenho sempre dificuldade em lidar com isto, não que não entenda que cada um de nós não deve ser demasiado possessivo sobre quem amamos, mas por outro lado o medo e o receio da perca, fala quase sempre mais alto e acabamos quase sempre por ter o coração aos saltos e sem saber muito bem que caminho seguir.[...]
Por fim uma coisa é certa: controlar o outro é o mesmo que querer impedir em si mesmo surgimento de algum conteúdo, traço ou comportamento. Mais correto seria dizer que a pessoa controla através do outro. As coisas que o outro é e faz são as mesmas que o controlador evita ser e faer. É interessante como se estruturam algumas relações: eu me apaixono por alguém que dramatiza uma parcela inconsciente de mim mesmo.
Pronto está explicada a a possessividade: na medida em que só posso ser dono de algo próprio, ao ser possessivos para com outro estou me apropriando do que realmente é meu. Porém, se pelo menos eu estivesse me apossando daquele conteúdo para ususfruir sua energia e me beneficiar com suas contribuições, tudo estaria muito bem. Eu transformaria a possessividade negativa em inveja positiva.
Desenvolveria em mim as mesmas capacidades que me ' incomodam' no outro, substituiria minha crítica por uma admiração e, com isso,s enriqueceria meu repertório pessoal. Eu me tornaria mais hábil para lidar com as dificuldades que teimam em me atazanar e que - reconheço - não são problemáticas para a pessoa em relação à qual sou possessivo. Não é isso que na maioria das vezes acontece.
O que vige no Código Penal brasileiro, é que a emoção ou a paixão não exclui a culpabilidade de quem fere ou mata uma outra pessoa. Portanto, para o direito penal positivado na norma escrita, não há tratamento específico e mais brando para o homicida passional. Ao contrário, pois se entendermos que o ódio, a inveja ou a ambição pode ser fruto de uma paixão incontrolável (ou, ao menos, difícil de ser controlada), temos de admitir que a lei não só não atenua a culpabilidade do agente, mas considera a conduta como uma forma qualificada de homicídio, muito mais grave pela maior quantidade de pena e, também, pelas conseqüências repressivas resultantes do fato ser considerado como crime hediondo.
“A sociedade foi organizada pouco a pouco de uma maneira machista, na qual os valores femininos foram completamente abafados. [...]. A mulher como representação do belo, que é o elemento mais sensível e primário da existência; ela é formada diretamente pela ética, estética e verdade. [...].
Estou dizendo que o fundamento da existência é a beleza, que é ligada ao sentimento (amor). E, vendo o representante do belo em plano totalmente inferior, pode-se compreender o motivo de toda a balbúrdia social; é fácil notar que quanto mais atrasado é um grupo ou um país, mais a mulher é desprezada”.
Estou dizendo que o fundamento da existência é a beleza, que é ligada ao sentimento (amor). E, vendo o representante do belo em plano totalmente inferior, pode-se compreender o motivo de toda a balbúrdia social; é fácil notar que quanto mais atrasado é um grupo ou um país, mais a mulher é desprezada”.
[...]E, neste mesmo sentido, Charles Sanders Peirce com fulcro na lógica, sempre tentando dar um caráter científico às idéias filosóficas. Utilizando-se da fórmula do método pragmático, que visa conhecer o significado das idéias e conceitos intelectuais, estudou a estética como a primeira das ciências normativas, conseqüentemente, o belo, mas, sem desvirtua-lo de seu valor universal e absoluto. Conseguiu, porém, dentro da gama de valorações que possam culturalmente lhe ser atribuída, encontrar a mais adequada, ou seja, de que o belo retrata não só aquilo que pode ser percebido pelos sentidos humanos, tendo por isto, sua melhor expressão em algo plenamente admirável, que seria o bem comum. Assim, afirmativamente, leciona Peirce:
“À luz da doutrina das categorias, parece-me que um objeto, para ser esteticamente bom, possuirá um sem número de partes todas relacionadas de tal modo a produzir uma qualidade positiva, simples e imediata”.
Com efeito, Peirce assinala que sua compreensão da estética traduz-se no ideal supremo, e a ética naquilo possível de ser buscado; de tal modo, nossas condutas voluntárias se detêm entre estes dois pólos: o do agir e o da responsabilização por nossos atos. Cabe salientar que, se correlacionarmos a argumentação de Keppe à explanação de Peirce, passaremos a compreender com exatidão os parâmetros analisados, e, chegaremos a conclusão de que dentro do contexto social: bem comum, justiça, igualdade, afeto, verdade, são representações do mesmo ‘belo’ quisto por todos.[...]
“À luz da doutrina das categorias, parece-me que um objeto, para ser esteticamente bom, possuirá um sem número de partes todas relacionadas de tal modo a produzir uma qualidade positiva, simples e imediata”.
Com efeito, Peirce assinala que sua compreensão da estética traduz-se no ideal supremo, e a ética naquilo possível de ser buscado; de tal modo, nossas condutas voluntárias se detêm entre estes dois pólos: o do agir e o da responsabilização por nossos atos. Cabe salientar que, se correlacionarmos a argumentação de Keppe à explanação de Peirce, passaremos a compreender com exatidão os parâmetros analisados, e, chegaremos a conclusão de que dentro do contexto social: bem comum, justiça, igualdade, afeto, verdade, são representações do mesmo ‘belo’ quisto por todos.[...]
De posse destas colocações, vemos surgir uma coerência, mas nunca, uma justificativa, que talvez nos reporta à compreensão da conduta delitiva no campo passional, porque pudemos verificar que o sentimento da paixão é indominável, e se revela no ser como uma ebulição febril, capaz de desnortear, e porque não, surpreender.
Por estes fundamentos, concluímos dizendo que, os crimes passionais são em verdade, um mal cultural. E os males da cultura refletem doenças sociais. Daí porque, não basta que o legislador conceba normas como se a comunidade humana fosse sã, ou, doe diagnóstico àquele ferido de morte. Cumpre não olvidar que a fera humana jamais se tornará mansa, por via da sanção que a mantiver enjaulada.
REferências:
Giancarlo Kind Schmid - tarô terapeuta- teócico junguiano e simbolista;
Alberto lima - psicoterapeuta de orientação junguiana - autor de Gestalt e Sonhos
dicionário de língua portuguesa
blog- osentidodascoisas.blospot.com
Livro: Sexualidade Corpo e metáfora de Amparo Caridade
Coluna Estilo de viver - sentimento de posse - por Renata Agostini
blog - utopia XII - blog para os sentidos
A tela que mostramos hoje é de pintor anônimo e datada de c.1580. Mostra a trupe do I Gelosi, numa de suas representações. Figuras centrais - alerquin Pierrô e Colombina
Acervo: Museu Carnavalet, Paris
Fontes: www.carnavalet.paris.fr/

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